Ao contratar um escritório de advocacia, o empresário pode achar que o advogado está imune ou não entende as dores que sente ou não conhece a realidade do seu dia a dia. No meu caso, já fui gerente jurídica e depois diretora de uma empresa multinacional do setor de telecomunicações e vivi na pele as dificuldades de ser empresário no Brasil.


Assumi essa função em 2000 quando o Brasil passava pelo “boom” pós-privatizações do setor de telecomunicações. As teles tinham metas a bater com a Anatel e o setor estava em franca expansão. Quando fui contratada, a empresa, que antes fazia parte de um grupo forte brasileiro, tinha acabado de ser adquirida por uma empresa americana e estava passando por um processo de expansão do parque fabril para conseguir atender a crescente demanda e os pedidos colocados com antecedência de anos!
Como gerente jurídica cuidava dos contratos com clientes, fornecedores nacionais e estrangeiros, dava suporte para as obras de expansão, coordenava os escritórios externos que cuidavam das demandas trabalhistas e tributárias, fazia pareceres e relatórios para os sócios estrangeiros e procurava estruturar o inexistente departamento jurídico da empresa. A demanda era alta porque a empresa estava ebuliente, com mais de 200 funcionários, obras, equipamentos novos chegando, novas tecnologias sendo desenvolvidas, tudo para melhorar a performance e atender o mercado.


Em 2001, no entanto, ocorreu o “estouro da bolha das telecoms”. Aconteceu em data próxima ao atentado de 11 de setembro. Do dia para noite, o cenário mudou. A máquina de fax que ficava em frente à minha sala cuspia comunicados de suspensão de pedidos, de reclamações por qualidade de produto, de pedidos para atrasar a entrega. Ninguém sabia qual a extensão da crise ou por quanto tempo ela iria durar. Mais do que isso, ninguém sabia ao certo que medidas tomar diante desta situação.
Então, o jurídico entrou em “modo” emergência. Negociações com fornecedores. Notificações para clientes. Tentativas de negociação com sindicato. Fiscalização de tributos no mês seguinte em que a empresa passou a pagar menos impostos (porque estava vendendo menos)! Conversas com BNDES. Investidores.
No momento da crise inesperada, imprevista que afetou e aniquilou todo um setor da economia, é desesperador ver que todos os mecanismos funcionam contra o empresário. Não há um plano de socorro. Não há suporte. Nem tolerância.
No caso desta empresa, havia alguns complicadores, como o fato dos sócios estrangeiros também terem pedido recuperação judicial no exterior e perdido o interesse pela empresa no Brasil, deixando de adotar as medidas necessárias para conduzi-la para um caminho melhor, que só os diretores locais não tinham poderes para tomar.


Acompanhei de perto o stress e a dor dos diretores que lutavam para encontrar um caminho. Vi jovens executivos se tornarem grisalhos em 1 (um) ano. Outros sofrerem problemas sérios no coração. Tudo resultado do stress pesado do futuro incerto agarrado à esperança de reconstruir uma empresa que tinha sido motivo de orgulho e o sustento de tantas famílias.
Esses dias nunca se apagarão da minha memória e da minha experiência e fazem parte do meu propósito de estar ao lado dos meus clientes no seu objetivo por construir os seus negócios.

TCT Advogados

Postado por: TCT Advogados, atualizado em: 29/05/2019

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